Em Frente

 

Penso. Sinto. Me contenho. Penso. Questiono. Me calo.

Decido. Recuo.

 

Não consigo escrever

Ora imersa em angústias

Ora escapulindo pela ponte do otimismo…

Vai dar tudo certo. (Vai?)

 

Caminho.

Ando por estradas desconhecidas

Promovo novos desafios

Me sinto viva e agradecida.

Sozinha.

Penso. Caminho. Penso. Sorrio. Caminho. Observo. Sorrio. Sonho… e ando.

 

Que caminhos serão?

Que pedras encontrarei?

Devo ir longe ou nem tanto chegarei?

Sozinha?

 

Penso. Sinto. Me contenho. Penso. Questiono. Me calo.

Em frente é minha única opção.

Até de Graça

Há dias atrás publiquei um post  (este)  que falava sobre perguntas e respostas. Pois bem, esse negócio de ficar perguntando ao universo acaba me colocando diante de respostas complicadas.

Lá um belo dia, durante uma caminhada longa (15km!), pensando sobre trabalho X satisfação, fiz a mim mesma a pergunta que li em algum lugar: O que você faria até de graça? Precisei pensar alguns minutos mas até que não foi difícil achar a resposta. Mesmo não sendo muito precisa, como uma carreira de fato, um conceito me veio à cabeça. Eu faria de graça o que estivesse ao meu alcance para dar ou devolver confiança e motivação a alguém. Me ocorreram várias coisas possíveis como por exemplo ajudar mulheres a encontrarem sua beleza exterior e confiança como consequência direta, funcionários de uma empresa a se sentirem valorizados, engajados e motivados ou mesmo ensinar pessoas adultas a ler e escrever. Apenas exemplos.

Foi bacana fazer esta constatação mas ao mesmo tempo um pouco perturbador. Se eu faria até de graça por que não trabalho com algo assim? Por que meu sustento não pode vir acompanhado de prazer? Não sei a resposta. Não saberia por onde começar. Não sei se de fato isso não passa de uma fantasia.

Achar respostas para questões importantes nem sempre é fácil. E mais complicado ainda é quando a resposta surge, é clara e você não sabe o que fazer com ela. Seja como for, acredito que às vezes a pergunta é até mais importante do que a resposta já que perguntar significa por si só ter dúvidas. E ter dúvidas mantém a mente aberta.

E você, o que faria até de graça e não está fazendo como trabalho remunerado?

Ruim de Cama

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Quem nunca?! Aposto que em algum momento da vida você já se perguntou se é bom de cama. Especialmente quando a gente entra em uma nova experiência, a dúvida fica no ar. Os mais cara-de-pau perguntam direto acerca de sua performance, já os mais contidos ou contidas, tiram suas próprias conclusões pelos capítulos seguintes. A internet está aí para provar, as pessoas pesquisam muito o termo “ruim de cama”. Mas afinal o que é ser bom de cama? O que realmente faz diferença?

Li um texto na internet onde a primeira frase afirmava que de cada 5 orgasmos que uma mulher tem com um homem, 4 são fingidos. Será mesmo? Duvidei da afirmação mas seja como for, o número não interessa, o que é importante é entender porque uma pessoa precisaria fingir qualquer coisa. E isso não acontece só com mulheres, homens também fingem. Se alguém está fingindo me parece que esteja fugindo de algum julgamento. Então quer dizer que se não gozar de fato, não estava sentindo prazer? Besteira! Sexo bom não tem obrigação de terminar em orgasmo. A experiência toda pode ser extremamente prazerosa sem o gozo. Eu diria mais: algumas ótimas experiências acontecem quando a gente abre mão do próprio orgasmo para somente proporcionar ao parceiro ou parceira o prazer absoluto sem distrações.

Ser bom de cama, pelo menos para a maioria das mulheres (e aqui vou abordar pela ótica feminina), significa ser atento e atencioso. Não é segredo para ninguém que homens e mulheres funcionam de forma bastante diferente. Quer uma experiência deliciosa? Então entenda de uma vez por todas que sim, dá um pouco de trabalho mas que esse “trabalho”, se for encarado como parte da sedução, vai resultar em momentos de muito prazer. Eu não lembro onde foi que li ou ouvi a afirmação abaixo, que para mim é a síntese de tudo o que um homem precisa saber para ser bom na cama:

“Homens são orientados por um objetivo. Mulheres são orientadas pela experiência. Quando um homem tira o foco de si mesmo e concentra-se no prazer da sua parceira, coisas fantásticas acontecem.”

Acredite. Isso funciona. Quando uma mulher sente-se segura e desejada não há barreiras que a impeçam de dar e receber muito prazer sexual. Priorizar o prazer feminino é coisa para homens inteligentes e sabe por quê? Porque assim que ela chega ao ápice das respostas sensoriais do seu corpo, o passo seguinte é você homem usufruir de todo o prazer que uma experiência completa entre duas pessoas pode proporcionar.

Certa vez, conversando com um amigo bem mais jovem sobre as dificuldades dele com a namorada eu disse a ele mais ou menos o que escrevi aí em cima acrescentando dicas práticas do tipo: _Quer sexo bom à noite? Lembre-se dela durante o dia, mande mensagem fofa e sacana também. Dê atenção antes, durante e depois. Aí ele veio com essa: _ Ah, mas eu não sou assim, não vou estar sendo eu mesmo. Minha resposta foi bastante prática para o moço com pouca experiência de vida: _ E daí que você não é assim sempre? Você quer sexo bom e ela quer se sentir a última bolacha do pacote (porque é isso que TODAS as mulheres desejam), certo?! Pois bem, faça isso e todo mundo vai sair ganhando. Vai por mim. Ele ainda titubeou um pouco mas acabou concordando que seria uma postura no mínimo mais objetiva e no esquema ganha-ganha.

Tá vendo?! Para quê complicar o que é simples? Não existe pessoa ruim de cama, existe pessoa desmotivada.

Há quem diga que é preciso estar com alguém com quem se goste de conversar, já que com o tempo a tendência é diminuir o ritmo das atividades de alcova. Eu não discordo mas acrescento que é preciso sim estar com alguém que nos desperte o desejo físico também. Pesquisas corroboram com a minha opinião. Casais com relacionamentos longos têm entre suas características o humor, gostos em comum e o desejo sexual.

Direto ao ponto? Pois bem… Você pode ser bom de cama antes mesmo de chegar à ela, tudo depende de sua abordagem. Há dias de mimimi fofo e dias de pega pra capar. Você é bom se for atento e atencioso com sua parceira. É bom se for um cara inteligente, do tipo que saca as reações e tira proveito de cada uma delas. Se você beija, se olha nos olhos. Isso é sexy. Você é bom se vai além do óbvio e explora as curvas da estrada de Santos. Há muito o que descobrir, não seja preguiçoso. Ah! E permita-se ser descoberto também. Não é hora para neuras existenciais, você sabe quem é e ponto. Segurança também é sexy. Percebeu que ela está subindo pelas paredes? É hora de propor o que você quer. Não vá fazer como muitos que ao chegarem neste estágio crucial do esporte não sabem tirar proveito e acabam desperdiçando possibilidades incríveis de prazer a dois. Não queria tesão? Agora aproveita!

Um homem só é ruim de cama quando é egoísta, machista, apressado, rude, egocêntrico e preguiçoso. E não, você não pode gozar sem no mínimo avisar que vai fazê-lo. Deixar a parceira esperando pelo bastão enquanto você faz corrida de revezamento sozinho não tem a menor graça.

Sexo é uma coisa linda e basicamente você será o cara se conseguir mesclar de forma magistral carinho, pegada e bom humor. Sim, porque rir daquela posição que ficou esquisita ou sorrir com olhar de desejo depois de um beijo gostoso quebra qualquer tensão e aproxima demais as pessoas. E mulheres gostam dessa conexão. Mesmo que temporária. 😉

 

Ser, Estar, Eis a Questão

Vivo uma fase de minha vida especialmente interessante e perturbadora. Muitas questões, pouquíssimas respostas e uma pitada de fé no desconhecido. Das muitas perguntas que me faço, duas são especialmente complexas e de difícil conclusão: “Quem sou eu de fato?” e “O que me faz realmente feliz?

Olhando assim de fora, parece esquisito uma pessoa que aos 40 anos não sabe ao certo quem é mas eu tenho argumentos em minha defesa. Ok, eu seria muito alienada se não soubesse nada sobre mim mesma, mas também considero que seria muito egocêntrica se dissesse que sei tudo ou pior, que tenho plenas certezas sobre a pessoa que me tornei. É uma vida de construções e desconstruções psicológicas, de afirmações e negações e cada passo dado ou recuado tem um peso. A Ana que se formou é como um HD cheio de arquivos que necessitam de reciclagem urgente. Se tudo correr bem, eu ainda terei um bom par de anos pela frente e consultas a este compartimento serão inevitáveis portanto é bom que tudo esteja no mínimo atualizando-se constantemente.

Me vejo pensando diferente em várias questões, revendo conceitos, reavaliando posições, adotando novas práticas e também confirmando muitas coisas boas e ruins a meu respeito. Enquanto as boas me orgulham, as menos lisonjeiras me impulsionam a pensar. Me instigam a perguntar: _ Por que eu faço isso? Por que eu penso desta forma? O que eu posso fazer para melhorar? De certo que é preciso calma e nenhuma dose de hipocrisia nessas horas. Há comportamentos em mim que acredito não serem muito populares, mas quer saber? Eu gosto assim. E esses eu não pretendo me esforçar para mudar. Concluir que algum “defeito” faz parte da minha personalidade também é interessante e libertador.

Um autoquestionamento nestes moldes esbarra inevitavelmente nas medidas da tal felicidade. E aí?! Você é feliz? Não acredito em qualquer resposta para esta interrogação simplesmente porque para uma pergunta errada não existe resposta certa. Afirmar categoricamente que se é ou não feliz é simplificar uma condição bem mais complexa. Acredito no estar feliz, no sentir contentamento temporário. A soma desses momentos prazerosos é que me põe ou não na circunstância da felicidade. Como se eu dissesse que nesta semana não senti tanto contentamento, mês passado foi cheio de situações alegres e o ano como um todo tem sido de altos e baixos. É assim que entendo o ser feliz, até porque, para saber-se contente, é preciso reconhecer-se triste. No fim das contas, o resultado é ou não paz de espírito. Aceitar que há períodos bons e outros nem tanto e que a vida é isso. Essa paz que vem do saber-se pleno para mim, constitui a verdadeira felicidade tão almejada.

De posse de minha teoria sobre felicidade tenho refletido com absoluta verdade sobre o que de fato me deixa alegre, satisfeita e em paz. As respostas que encontro dentro de mim mesma têm sido menos óbvias do que eu pensava que seriam. Observar minhas próprias reações é um exercício interessante que há tempos coloco em prática e desta forma fui descobrindo que posso encher os olhos de lágrimas diante de uma paisagem banal que sabe-se lá porquê toca meu coração, assim como posso sentir-me feliz por ter a oportunidade de estar em um restaurante chique. De novo aqui a escolha pela honestidade. Não, eu não ignoro as boas coisas da vida, aquelas que o dinheiro compra. A diferença está no fato de que, se eu nunca mais pudesse comprar um prazer que depende de dinheiro, eu o substituiria por uma alegria gratuita, ao passo que o contrário não me colocaria no mesmo nível de satisfação. Se eu não fosse capaz de sentir prazer me aquecendo sob o gratuito sol do inverno, tentar comprar alguma coisa em busca de um momento feliz, definitivamente não funcionaria.

Sim, eu penso um bocado, mas não faço disso um fardo. Ao contrário, essa busca por perguntas relevantes e respostas íntegras me faz crescer, me dá uma gostosa sensação de movimento. Eu não parei no tempo, não me acorrentei à certezas e conceitos. Tenho fé no desconhecido, tenho fé em mim mesma. Tudo pode mudar a qualquer momento, estou aberta a possibilidades e isso também me faz feliz.

 

Caminhante

Adoro caminhar. Não sei precisar a partir de que fase da vida entendi que andar à pé me dava prazer, mas lembro que foi em um caminho qualquer que me descobri sentindo uma sensação gostosa e boba só pelo fato de estar ouvindo meus passos sobre os pedriscos. Estava caminhando pela rua e lá pelas tantas me dei conta de que estava escolhendo os pedaços não pavimentados só pelo prazer do barulho. Entendi assim, de um jeito singelo, que caminhar me fazia bem.

Caminhar me conecta a uma outra pessoa que está dentro de mim. Tenho pensado muito sobre isso e confesso que ainda não faz muito sentido e só o que posso afirmar com certeza hoje é que essa pessoa não combina muito com a “Eu’ que vejo no espelho antes de sair para o trabalho. Ainda não sei quem é a verdadeira ou se são apenas versões complementares de mim mesma. Talvez mais quilômetros me ajudem a descobrir.

Muitas pessoas andam de bicicleta em busca desse prazer físico e eu até acho bacana e igualmente desafiador mas penso que andar à pé nos coloca em contato conosco e o que está à nossa volta de forma mais intensa. Além da contemplação calma do ambiente e da observação de nosso progresso físico, somos obrigados a ficar em nossa própria companhia. Ter alguém para andar junto é legal já que andar sozinho não é para qualquer um, porém aqueles que estiverem dispostos a fazer de uma caminhada uma viagem para dentro de si mesmos, com certeza meditarão em movimento.

Unir o prazer de caminhar ao universo do autoconhecimento foi o que me chamou a atenção para um caminho em especial: O Caminho de Santiago de Compostela.

A primeira vez que ouvi falar dele foi nos anos 90 através do livro O Diário de Um Mago, de Paulo Coelho. Só voltei a ouvir falar desta peregrinação muitos anos depois e especificamente no ano de 2016 ficou impossível ignorar os sinais de algo que me chamava e me atraía feito ímã. Um dia por acaso uma reportagem, em outra ocasião um vídeo que me saltava aos olhos, mais adiante um artigo em meio a informações sobre corridas. Eu nem estava procurando! Definitivamente o Caminho de Santigo de Compostela me chama. Sempre que alguma coisa relacionada me cai no colo eu paro o que estou fazendo e assisto, leio, ouço. Desde que passei a me interessar de verdade pelo assunto o desejo incontrolável de um dia percorrer os 800 km do caminho francês não me deixa em paz. Acho que já sei quase tudo o que se precisa saber para realizar a façanha. Me faltam recursos, me sobra vontade. Virou sonho a ser realizado.

Como consolo, tenho pesquisado opções próximas para períodos de férias e feito cada vez mais caminhadas longas em expedições locais. Sábado passado, numa trégua da chuva depois de semanas, consegui sair e andar 11,2 km. Foi pouco mas o possível antes de mais chuva. Voltei pra casa cansada, feliz e muito determinada. Vou continuar andando, do jeito que for, até chegar o dia em que terei o caminho dos meus sonhos bem ali, na minha frente com a promessa de uma experiência inesquecível.

Crônica de um ócio desejado

 

Saí do escritório para fazer um serviço na rua e quando voltava, diminuí o ritmo para observar com um pouco de inveja várias pessoas caminhando em um parque que fica no caminho. O dia está tão bonito hoje aqui, céu limpo, sol, temperatura agradável. Foi instantâneo pensar “como eu queria poder caminhar à tarde como essas pessoas”.

Sabe aquela coisa de um pensamento levar a outro e outro… Parada no sinal vermelho e olhando ainda para o parque me peguei fazendo uma sondagem sobre meus desejos mais íntimos. Me imaginei com grana suficiente para poder escolher o que fazer ou não fazer ou mesmo quando fazer. De todas as coisas possíveis, hoje eu só queria ter essa liberdade. A de ir e vir em plena tarde de quarta-feira. Sem ponto, sem chefes, sem tela de computador.

A ironia das coisas fica por conta da constatação de que isso provavelmente nunca vá ter outra tag na minha vida que não a de desejos não realizados (obviamente que meus pensamentos não incluem ficar desempregada e com tempo sobrando por conta disso) porque afinal eu preciso e sempre precisarei trabalhar.

Mesmo que eu tivesse muita grana, ainda assim trabalharia, mas é certo que a liberdade de uma tarde de quarta-feira ensolarada não me escaparia ao juízo. E quer saber mais? Eu levaria você comigo, roubado de uma agenda cheia.

Melhor Versão

E pra fechar esta sexta… A música que eu mais ouvi esta semana.

Na minha modesta opinião, uma versão sofisticada que elevou o grau da melodia para uma letra maravilhosa e já conhecida do Renato Russo. Para mim, a versão superou a original.