Eu te amo, tudo bem?!

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Há dias procuro uma razão que me tire da minha zona de conforto e me faça voltar a escrever. O amor alheio me fez esse bem de duas formas distintas. A primeira delas através de incentivo genuíno: “_nunca deixe de escrever!“. E a segunda, através de declarações de amor propriamente ditas.

Tenho recebido lindas declarações e sempre que uma delas me surpreende de alguma forma, pelo modo como foi dita, pelas palavras escolhidas, pelo humor do momento ou qualquer outra característica que me chame atenção, me sinto especial. Este estado de surpresa que aquece o coração mas que não acontece diante de todas as declarações, me pôs a pensar: é preciso mesmo dizer o tempo todo “eu te amo” para demonstrar sentimentos?

Fui ler um pouco sobre o assunto, pesquisar se há mais corações de pedra iguais ao meu pelo mundo e para minha total satisfação, descobri que eu sou normal, pelo menos diante dos especialistas. Diz-se por aí que o “eu te amo” está banalizado e eu tendo a concordar.

Me parece que faria mais sentido ouvir essa frase bonita, forte e complexa apenas em situações muito especiais ou importantes. Os românticos que me perdoem, mas excesso de repetições vai aos poucos desvalorizando a condição do Amar. Aliás, me atrevo a dizer que nada tem de romântico o “eu te amo” ansioso, apressado, inseguro de quem imagina que dizer mil vezes vai contagiar seu objeto de desejo e devolver alguma paz a seu coração apaixonado. Repetir “eu te amo” sem motivo, vira “bom dia”, perde a graça e deixa de ser especial.

Lançando um olhar totalmente meu sobre esse assunto, me surpreendo ao admitir para mim mesma que romântico mesmo é aquele frio na barriga que eu sinto na primeira vez que digo “eu te amo” para alguém. Não é fácil dizer! Declarar que amo um homem é a posição mais vulnerável que posso me colocar por conta própria e isso faz dessa frase de três palavras, meu compromisso com o desconhecido, com a minha felicidade, com a alegria do meu parceiro e acima de tudo com a coragem de sair da minha zona de conforto e tentar de novo. Quem diria?! Talvez eu seja uma romântica afinal. Uma romântica que sabe que palavras podem ser só palavras quando ditas sem contexto.

🙂

“Estoy guardando mi TE AMO … Espero poder entregarte en el momento adecuado. Hasta entonces, sigo confiando en que puedo ser quien soy y que mi momento, mi risa, mis frases tontas y mi confianza en ti sea suficiente para hacerte bien hoy.

Ana

O acaso que faz o sempre

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O acaso, que nunca é por acaso, lhes colocou no mesmo espaço de tempo

E como tudo que precisa acontecer, encontraram-se

Desse encontro nasceu simpatia que cresceu amizade e floresceu paixão

 

Ele precisava de confiança, ela carinho

Da união de seus acasos surgiu o inesperado

Paixão ao primeiro beijo pra um, amizade ao primeiro abraço para outra.

Juntos embarcaram em uma linda viagem

Na mala dele um amor dedicado, na mochila dela o amor desapegado

Em cada parada beijos… e os melhores abraços do mundo.

O tempo nos trilhos correu, a vida seguiu, ele insistiu, ela partiu

Na despedida um pedido: viva e seja feliz, porque feliz já estou.

 

No caminho dela desafios, no dele decisão.

Um reencontro saudoso, lembranças vividas e um presente para ele

Um amor descoberto na saudade que no agora poderia ser vivido. Vamos?

Mas aquele tempo que passa e que traz os acasos trouxera também certezas

Ele sabia que não queria mais, agora confiante, encontrara novo porto.

Amor tão calmo quanto gigante, o dela se refez nas lições.

 

Tudo foi amor, tudo foi de verdade… Amores separados pelo tempo

Tempo urgente de um, amor que leva tempo pra outra.

Desse breve período de suas vidas restaram as lembranças

E da linda viagem que fizeram juntos renasceram esperançosos

Ele confiante para novo amor, ela feliz para recomeçar acertos

 

O acaso que nunca é acaso podia sair de cena e deixar o tempo passar

Nada é em vão quando o tempo e o acaso se encontram

Tudo é vida e cada viagem, lição

Amizade que fica, é amor que dura pra sempre.

 

 

 

 

 

Diário do Caminho 19/06

19/06/2018 – A chegada.

 

Havia uma energia diferente no ar. Desde ontem os sorrisos eram mais largos, olhares cúmplices trocados entre peregrinos que nem sabem os nomes uns dos outros mas que todos os dias trocam um “hola”… todos sabiam que estávamos chegando (juntos) à Santiago de Compostela. Um marco para muitos, o fim para a maioria, como eu. Parte de quem chega a Santiago segue até Finisterre. Lá seria o “fim da terra” e o verdadeiro final do Caminho.

No albergue estava hospedado um grupo grande de adolescentes e por conta disso, às 4:30h da manhã iniciou o barulho, quando eles foram acordados para começar a organização. Eu não consegui mais dormir e levantei da cama às 4:40. Eram 5:50 quando comecei a caminhar. Foi a primeira vez que saí no escuro e quando entrei em um bosque o breu era sinistro mas interessante. Havia um grupo de mulheres andando próximas à mim. Liguei a lanterna do celular e guiei o grupo todo por alguns minutos até que o céu mais claro tornou o caminho mais fácil e familiar.

Conforme fui me aproximando de Santiago, um filme foi passando pela minha cabeça. Lembrei da saída e me pareceu ter sido ontem. Eu alternava momentos de emoção e euforia. Me sentia um pouco estranha, como se fosse “obrigada” a logo voltar à vida normal…

Os arredores da Catedral de Santiago para quem chega pela primeira vez são um pouco confusos. Fui adentrando por ruas estreitas e cada vez mais lotadas de gente. Eu não sabia exatamente o que esperar e me parecia que nunca chegava à tal praça que eu vi tantas vezes em fotos. Foi então que eu a vi…

Abriu-se na minha frente uma enorme área cercada por construções antigas e impondo-se magestosa, lá estava ela, a Catedral de Santiago de Compostela. Fui andando mais devagar como se precisasse de uns minutos a mais para processar. Havia muita gente. Grupos, casais, bicigrinos e turistas. Era fácil identificar quem estava chegando, a emoção estava nos sorrisos, nas lágrimas, nos abraços trocados e nos tantos registros fotográficos que todos queriam fazer.

Sentei no chão cansada e chorando. Larguei a mochila e deixei as lágrimas correrem. Eu não sabia bem porque estava chorando mas senti uma emoção tão grande ao constatar que eu estava mesmo lá, que eu tinha conseguido. Eu sempre soube que faria mas lembrar de toda dor que me acompanhou me fez sentir alívio e sensação de missão cumprida. Fiquei um tempo assim observando a movimentação e me deixando envolver, depois fui fazer fotos para registrar minha conquista.

Estou escrevendo muito tarde hoje porque as comemorações e despedidas emocionadas do meu grupo de amigos foram longe. Alguns eu nunca mais verei, outros ficarão pra sempre na minha vida de uma forma ou de outra.

Eu fiz o Caminho Francês de Santiago, a maior aventura da minha vida até aqui.

Diário do Caminho 18/06

18/06/2018 – Falta pouco e sobra muito.

Hoje eu fiz 19,2km entre Arzúa e O Pedrouzo. Caminhada tranquila e sentimentos bons. Muita coisa passou pela minha cabeça, afinal estou às vésperas de concluir o maior desafio da minha vida até aqui. Dois pensamentos se sobressaíram aos demais: a vontade que eu tenho de agradecer e minhas expectativas frente à realidade do Caminho.

Enquanto me preparava para o desafio físico, meus maiores “medos” tinham a ver com questões psicológicas. Eu pensava que meu maior desafio aqui seria me adaptar ao novo, à rotina, à comida… Mas não. Não foi isso o que aconteceu. Talvez eu estivesse subestimando minha capacidade de adaptação porque desde o primeiro dia tudo foi muito simples e fácil nesse sentido. Não fiz drama com nada em especial. Algumas situações nunca vividas foram logo somadas ao todo e mesmo que, se por alguns instantes eu não gostasse, era realmente passageiro e se transformava em uma nova lição.

Quanto à parte física, essa sim me trouxe desafios e dores desconhecidas com as quais tive que lidar de uma forma ou outra. Senti muita dor, muito cansaço mas a cada manhã, com exceção dos dias em que fui obrigada a parar, eu acordava pronta para tentar. Tentar… porque às vezes eu não sabia se iria conseguir caminhar todo o programado para aquele dia. Mas eu consegui e isso prova para mim mesma que eu sou forte, que eu posso e que na verdade eu gosto dos grandes desafios físicos.

Sobra vontade de agradecer… de forma direta eu quero dizer um enorme “muito obrigada” a cada um que torceu por mim, a cada frase de incentivo e boas energias enviadas. Valeu gente!! 😍
Além deste, vai meu agradecimento de coração às minhas queridas Mederix que foram companheiras de caminhadas e diversão. Igor Santa Rosa querido que tanto me ajudou e andou comigo pelas estradinhas da região. Anderson Haas meu professor de pilates e amigo: obrigada por todo o trabalho específico que fizemos, você é 10! Obrigada a cada amigo que me ajudou de alguma forma.

E o agradecimento mais especial de todos vai para minha mãe Vanilda Medeiros. Obrigada por me apoiar em tudo o que eu faço. Obrigada por me aguentar falando e planejando por um ano o Caminho de Santiago! Nem eu aguentava mais me ouvir. 😂
Te amo. Você esteve comigo em cada coisa bonita que eu vi.

Agora é dormir e pular da cama cedo pra viver com intensidade o dia de amanhã.
Obrigada. Obrigada. Obrigada!

Diário do Caminho 17/06

17/06/2018 – Sobre personagens e o jogo do Brasil

Ontem tentei dormir o mais cedo possível. Acordei com meus dois pés pulsando de dor. Precisei tomar remédio e enquanto a dor não passava eu fiquei imaginando o caos que seria o dia de hoje quando eu andaria 28,8km.
Mas como sempre aconteceu até aqui, acordei bem. Sempre um pouco dolorida, mas bem. Saí do albergue às 6:30h e caminhei em um bom ritmo por quase todo o percurso. É verdade que hoje fiz uso do analgésico na metade do caminho mas ainda assim correu tudo bem. Cheguei em Arzúa por volta das 12:40h.

Enquanto caminhava, eu hoje fui tentando lembrar de pessoas que conheci pelos quase 800km já percorridos. Lembrar de pessoas é tão difícil quanto lembrar dos albergues em que dormi ou o nome dos povoados por onde passei. É preciso puxar lá do fundo da memória algum detalhe.

Lembrei da americana que conheci no primeiro dia. Este é seu quinto caminho e ela estava caminhando desde Paris. Nunca esqueci da Mônica, a brasileira de SP que conheci em Pamplona e que me deu a vieira que eu ainda não tinha. Um dia cruzei com um senhor mais velho que estava vindo de Dublin. Até àquela altura ele já havia percorrido 1.600km. Conheci o Francis, um senhor francês que estava fazendo o Caminho ao contrário desta vez.
A história que mais me tocou foi a do Americano do Texas, um jovem senhor, que fazia o Caminho para honrar a promessa que fez a esposa. Os dois planejavam fazer juntos mas um câncer no cérebro à levou antes.

Foram tantas pessoas de tantos países… Por quase todo o Caminho eu gostava de perguntar de onde aquela pessoa vinha. Gostava de registrar na mente o alcance que tem o Caminho de Santiago.

Hoje o jogo do Brasil passou às 8:00 aqui. Fomos a um bar e lá assistimos o primeiro tempo. Vou falar: que falta fez a transmissão brasileira com as vozes conhecidas e as narrativas emocionadas.
O segundo tempo eu assisti no albergue e havia um grupo de rapazes coreanos assistindo também. Eles adoram futebol e estavam torcendo para o Brasil. Foi muito engraçado assistir com eles porque a cada lance todos murmuravam juntos sons que faziam todos os presentes darem risada.

O placar do jogo foi empate mas o resultado da minha caminhada de hoje com certeza foi vitória! 😊

Diário do Caminho 16/06

16/06/2018 – Sensação de paz sabor banana.

 

Pulei da cama cedo, assim que vibrou o celular embaixo do travesseiro às 5:15h. Hoje meu plano era escapar daquela multidão que costuma sair meio junto. Não tenho absolutamente nada contra os grupos ou os turigrinos (turistas que vem fazer o final do Caminho), só prefiro o silêncio e o foco de uma saída cheia de energia.

Falando em grupos, me chamam a atenção as turmas de escola. Em Estella vi o primeiro. Eram adolescentes franceses na faixa dos 16 anos que estavam lá para fazer alguns quilômetros, não recordo o quanto. E agora em Sarria puxei assunto com alguns meninos de uma grande turma para saber o que fariam. A idade parecia não ultrapassar os 14 anos e me disseram que irão até Santiago, ou seja, coisa de 100km.

No Brasil as turmas fazem excursão, aqui muitas fazem trechos do Caminho. Eu achei muito interessante que adolescentes encarem esse tipo de coisa, porque convenhamos, ficar na internet dá bem menos trabalho. Foi observando um grupinho passar que pensei: talvez essa seja a semente que faz com que tantas pessoas que moram na Europa façam o Caminho por diversão, as vezes dividido-o em várias etapas ao longo de anos.

Tomei meu café calmamente esperando o dia clarear um pouco mais para sair. Eram 6:20h quando comecei. Apesar de estar sem a mochila grande continuo sentindo as velhas dores. A diferença é que agora demora um tempo a mais para começar e consigo administrar melhor até chegar. Amanhã será meu último grande desafio aqui: 28,8km. Vou encarar. 😊

O ponto alto para mim hoje foi quando, na metade do caminho, já cansada, encontrei um muro de pedras perfeito para uma pausa. Sentei sob o sol, estiquei as pernas e me pus a saborear um pequeno sanduíche e uma porção deliciosa de banana desidratada (tipo um chips). Sem conversas, sem hora… e com uma paz simples e feliz que só uma situação dessas é capaz de proporcionar. 😍

Diário do Caminho 15/06

15/06/2018 – Sorria, você está sendo filmado? Não. Disfarça que alguém tá olhando!

Hoje caminhei por 22,4km de Sarria à Portomarín. Voltei à rotina de sair antes das 7h da manhã. Por vários dias eu estive saindo dos albergues por volta das 8h, o que considero bastante tarde mas eu precisava dormir mais e ter mais tempo para me recuperar das últimas dores. Agora, com a multidão que se aglomera na saída incluindo grupos escolares, eu pretendo voltar a sair bem cedo.
Hoje foi um dia tranquilo andando por bosques muito agradáveis e passando por várias propriedades rurais.

Estava eu deitada fazendo praticamente uma sessão de congelamento em mim mesma e pensando no que escreveria hoje quando um homem bocejou no quarto já com poucos barulhos. Isso me fez lembrar do Big Brother Brasil.

Aqui no Caminho acontece uma coisa interessante… a gente esquece que está “sendo filmado”. 😁
A questão é que muitos comportamentos que antes pareciam estranhos de ver ou fazer, com o passar dos dias tornam-se comuns e com muita coisa a gente deixa de se importar.

Compartilhar um quarto com mais 35 pessoas. Usar a ducha dentro de um banheiro cheio de outras mulheres ou compartilhar o mesmo banheiro com homens. Ver gente andando de cueca pelo quarto ou senhoras trocando de roupa sem cerimônia. Ouvir roncos de estranhos, presenciar gente que fala enquanto dorme. Sair do quarto no meio da noite para ir ao banheiro e quando voltar dar-se conta do “calor humano” que impregnou o ar.

Lá um belo dia tudo fica menos incômodo. A gente deixa de se importar, esquece que está rodeado de pessoas e quando vê está fazendo algo que não faria perto de estranhos.

Sobre o bocejo? Ah sim… me lembrou o Big Brother Brasil porque alguns sentem-se mais em casa que outros como o senhor que abriu a boca e sem cerimônia fez um bocejo do tipo: “_ Uhaaa… haa…haa…haaaaaa!!” para quem quizesse ouvir.
Coisas da vida peregrina. 😂😂😂

Diário do Caminho 14/06

14/06/2018 – O peso que eu carrego. #soquenao

 

Para esta linda quinta-feira de sol na Galícia o programado era fazer Triacastela à Sarria percorrendo 18,3km. Como seria pouca quilometragem eu fiquei com vergonha de mandar minha mochila cargueira pela van e tratei de levar a danada nas costas. Eis a questão.

Ontem eu andei 26km sem dor significativa e com uma boa dose de energia, já hoje… O primeiro erro foi não ter checado a altimetria e perfil do trajeto. É simples, está no guia e mostra direitinho o quanto vamos subir ou descer e a intensidade disso. O segundo foi ter ignorado até hoje de manhã a resposta para a pergunta que eu andava me fazendo à muitos dias: “por que eu ainda não me acostumei totalmente ao peso da mochila?”

Hoje caiu a ficha: eu sou uma mulher com biótipo mignon que nunca teve variação de peso superior a dois quilos em seus 41 anos de vida. Aí começo a caminhar por dias e dias seguidos com um peso extra que eu nem sei a quantas anda, mas imagino que em torno de 7kg. Acrescente a isso o fato de que eu estou pesando menos do que quando comecei (vou me pesar, por curiosidade), ou seja, proporcionalmente minha mochila foi ficando pior. O motivo das dores que sinto ficou claro.

Hoje eu decidi que chega desse apego besta à mochila. Vou mandar pra frente todos os dias se for preciso. Pior que não carregá-la é não caminhar.

E além do mais eu não tô pagando penitência. Sem essa de “o peso do que carrego na vida”. Não tenho paciência para essas teorias. Meus joelhos agradecem! ☺😃

Dia 19 está chegando!! 😍

Diário do Caminho 13/06

13/06/2018 – Curtir e recordar, não necessariamente nesta ordem.

Começar o dia com sol, subindo montanha e tendo como pano de fundo os vales incrivelmente lindos que eu vi hoje… ah, isso sim é privilégio na vida!
Meu Caminho hoje foi maravilhoso. Sem dor eu fiz 26km entre La Faba e Triacastela. Nenhuma grande reflexão, nada de pensamentos profundos… só curti. Então sobre o que escrever hoje? Talvez sobre algumas coisas que me marcaram e que me recordo agora.

Lembro do dia que vi uma família caminhando. O pai levava uma mochila enorme e a mãe carregava a criança pequena nas costas. Me impressionou o primeiro encontro em um albergue com um rapaz jovem e bonito com sua cadeira de rodas e um amigo. Estavam fazendo o Caminho e voltei a encontrá-los em outra cidade depois. Teve um dia em que vi chegando ao albergue uma moça e seu cão. Ela estava buscando um lugar que o aceitasse. Uma noite dormi em um quarto com mais duas senhorinhas dinamarquesas. Eu me impressionei com suas idades pra lá dos 70 e elas se admiraram de eu vir do Brasil.

Lembro da noite que tive um ataque de riso quando a luz mal se apagou e uma impressionante sinfonia de roncos e peidos começou. Me recordo do creme de abóboras delicioso que foi servido como entrada em um albergue. Lembro do primeiro passo e da expectativa, minha e de todos. E ainda estou saboreando o gosto de uma bebida maravilhosa feita com uva passa que o dono de um restaurante, ontem em La Faba, serviu e convidou a mim e Alejandro para brindar depois de me contar que sua esposa é brasileira, se conheceram no Caminho e que ele fez a proposta: se ela viesse ficar com ele na Espanha, eles abririam o lugar mais legal do Caminho.

E isso é só o que me vem à cabeça agora… ☺